A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) confirmou que cerca de 20 laudos de óbitos estão sendo reavaliados, levantando a possibilidade de que o número de vítimas seja muito maior do que os três casos já confirmados.
As mortes ocorreram entre novembro e dezembro de 2025 e passaram a ser questionadas após a direção do hospital identificar padrões considerados atípicos em óbitos registrados na UTI.
Três técnicos de enfermagem foram presos na sexta-feira (19/01/2026): Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camille Alves da Silva. Eles são suspeitos de administrar substâncias não prescritas, inclusive produtos químicos, com o objetivo de provocar colapsos clínicos que simulavam paradas cardíacas.
Segundo o delegado Wisllei Salomão, em um dos episódios um dos investigados teria aplicado desinfetante com uma seringa diversas vezes em um paciente.
As vítimas confirmadas até agora são João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, de 33 anos, servidor dos Correios; e uma professora, cuja identidade não foi divulgada.
Após negarem envolvimento, os suspeitos confessaram os crimes ao serem confrontados com provas. Agora, o foco da apuração está na análise detalhada dos 20 laudos, que inclui prontuários médicos, medicações administradas, escalas de plantão, horários de óbito e a presença dos técnicos nos turnos.
A polícia investiga se havia modus operandi repetido e se os crimes faziam parte de um esquema contínuo dentro da UTI.
Em nota, o Hospital Anchieta afirmou que abriu apuração interna por iniciativa própria e acionou as autoridades, colaborando integralmente com a investigação.
Os presos devem responder por homicídio doloso qualificado, já que as vítimas estavam em condição de extrema vulnerabilidade e sem possibilidade de defesa, enquanto a PCDF apura se o número de vítimas pode aumentar.

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